Resenha: O Jovem Stálin

Simon Sebag Montefiore apresenta um competente panorama dos anos de poder de Stálin no livro Stálin: a corte do czar vermelho, onde acompanhou e analisou os anos de maturidade do biografado, partindo do começo do fim do czar bolchevique, quando do suicídio de sua esposa Nádia, passando pelo seu furor paranóico nos anos de terror e refletindo sobre sua senilidade após a exaustiva Segunda Guerra Mundial.

Se com este livro os anos de poder se tornaram acessíveis ao leitor, o mesmo não podia ser dito da juventude e dos anos de formação de Stálin, sempre bastante obscuros. Esta lacuna é, então, preenchida pelo próprio Montefiore no livro O jovem Stálin de 2007, em que é apresentada uma formidável descrição e análise da vida do biografado antes de se tornar o afamado estadista soviético.

Assim como no volume anterior, Montefiore procura retratar Stálin fugindo dos mitos e lendas consolidados pelos dois extremos em competição: o pró-stalinismo e o anti-stalinismo. O resultado desse esforço é uma análise muito mais rica que a imagem de infalível líder soviético, propagada pelo pró-stalinismo, e que a imagem de tirano obscuro, arrivista e sanguinário, muito propagada pelos seus detratores. Seus atos de violência e crueldade não são ignorados por Montefiore, mas são colocados dentro de um contexto muito mais interessante do que a chave da simples maldade humana, ou seja, o historiador dá conta de recriar o caldo cultural e social que formou o comportamento que tanto chocou a humanidade.

Este caldo cultural é reconstruído através da consulta as mais diversas fontes, como entrevistas e memórias censuradas pelo regime soviético, relatórios da polícia secreta, cartas dos revolucionários e uma gama gigantesca dos mais diversos documentos até então “perdidos” em arquivos espalhados pelo leste europeu.

O contexto que Montefiore apresenta é o de um intenso conflito no Cáucaso,  permeado por uma cultura da violência exagerada, de gênese de um grupo político em meio a repressão czarista, num ambiente de traições constantes e enormes necessidades de financiamento. E é neste contexto, que Stálin vai sendo apresentado e analisado, como poeta, estudante no seminário, rebelde, gangster, exilado, teórico político, líder revolucionário e homem forte de Lênin.

Stálin é, enfim, reencaixado na História da Revolução Russa, sendo que sua relação com Lênin e Trotsky é esmiuçada, assim como algumas curiosidades sobre sua formação. Neste quesito destacam-se os mistérios em relação com seu pai, sua atuação na gênese do Partido Bolchevique, sua relação com as mulheres, com o exílio, com a polícia czarista e a poesia.

O Jovem Stálin de Simon Sebag Montefiore é uma boa pedida àqueles interessados em História e/ou biografias, pois traz a tona detalhes importantes de um personagem político de grande relevância, em uma análise historicamente correta, bem escrita e que, de quebra, explora um contexto histórico riquíssimo e surpreendente.

Resenha do livro O Jovem Stálin de Simon Sebag Montefiore.

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