Arquivo para Barangas

10 Poemas em Prosa (ou para ninguém reclamar que aqui não tem inovação.)

Posted in Poema em Prosa with tags , , , , , , , , , , , on 10/12/2009 by caioguilherme

10 Poemas em Prosa (ou para ninguém reclamar que aqui não tem inovação.)

Por: Caio Guilherme

I

Ontem um abraço suado. O ônibus nunca passa vazio. O celular castigando orelhas e ovinhos de codorna suando num boteco qualquer. Se eu fosse amigo do rei, compraria-me uma Pasárgada e não venderia bolovo.

II

Daria uma rosa para aquele dia. Do lado da minha casa queima uma fonte de luz colorida. Deixo essa cidade dizendo um nome, maldizendo um beijo e clamando por seu seio. Você me fecha a porta e me agarro num abraço perdido. Tudo cai de lado e digo “até amanhã”.

III

Agora cala e some. Ratinhos no escuro, tão bonitinhos, procurando um queijo. Num buraco da vida encontram um beijo. Lucilda gosta de goiabada e todos gostam de mim. Do que adianta as luzes apagadas se nada acende o meu bem querer. Fecha-se a porta e gatos emergem, mastigam e somem com os ratinhos lá do começo.

IV

 Tem-se uma nota esbranquiçada. Palavras de amor abandonadas na face da terra. Pela cusparada tomada dá-se a outra face do mundo. Perdão não se dá, pois é duro ter que pensar.

O duro, é trabalhar em silêncio. A face dessa Terra toda e tosca fede a ranho. o choro está ardendo.

V

Agora tem sabor de menta. Uns lábios de cigarro emprestado. As bitucas queimam a pele. Não mais beijar barangas. Orgulho ferido dói menos que pisão no pé. Sonho em desejo insatisfeito.

VI

Seu olhos brilham em fogos de artifício. Minha cidade era o caos. Sem você ela virou loucura. Saudades do chocolate que você mordeu. Saudades da sua mordida. Um cheiro e beijos nus na chuva. Te reencontrarei.

VII

Um cotovelo nunca é bonito. Ninguém se apaixona só pelos cotovelos. Quando se encontra um para beijar, belo, lindo e cheiroso, é puro milagre. Eis que você achou o amor verdadeiro.

VIII

Sua pança se encaixava na minha. Seu bumbum liso encaixava na minha mão, combinação perfeita. Bom de apertar. Alegria de tentação. Um bom dia era te encoxar enquanto nos beijávamos.

IX

Não existe verdade. Nem verdadeira paixão. Um gole de tequila, é um gole de tequila. E um beijo apaixonado é o melhor beijo do Mundo até o próximo beijo apaixonado. É que nem quando bebê anda, sorri e o cachorro trás uma bolinha atirada na boca. Tudo tem seu fim. Só resta a bituca. A bituca e fumaça.

O vento, no final das contas, leva tudo. Eu, você, a verdade e a ilusão.

X

Um girassol, o sol e nós dois a noite no terminal. Duro é embarcar para descer tão logo, já que sua mão é quente e o seu ombro gostoso. Melhor que isso, só se meus lábios tocassem os seus e você dissesse meu nome, sussurrasse em meus ouvidos. Ai, meu Deus, que me perco nesses olhos e não acho mais o caminho de casa.

Quando fizer um gol no futebol, vou correr em direção as câmeras e gritar seu nome. Se desse jeito não te ganhar, vai me restar virar um músico famoso e cantar uma música feita inspirada em você. Poesia é movimento, pena que eu canto tão mal…

Ziquizeira

Posted in Crônica with tags , , , , on 12/10/2009 by caioguilherme

Ziquizeira

 

Amigo leitor, amiga leitora, hoje falo sobre algo que aterroriza 10 em cada 10 pessoas. Uma coisa que faz o peão, ou peã, olhar no espelho, com seus olhos esbugalhados, cabelos desarrumados e dizer para si: “Você chegou ao fundo do poço”. Não, não estou falando de ressaca, gripe estomacal ou dor de dentes, mas, sim, duma sensação pior que o gosto de guarda chuva no sábado de manhã: bota de baranga.

Desde que o Mundo é Mundo, e isso já faz bastante tempo, sempre que uma pessoa daquelas normais sente um calor que nem banho de gelo cura, ela olha para o lado e liga para o feiinho mais próximo, para tirar a ziquizeira de forma garantida e certeira.

Só que nesses últimos tempos de auto estima artificial e exagerada, fazer a alegria das mais humildes tem se tornado algo cada vez mais difícil, foram-se os bons tempos de lugares solitários, álcool a vontade e satisfação garantida… Agora? Para alegrar aqueles cujo sorriso assustam, as boas pessoas de bem, que não foram atropeladas por britadeiras, precisam gastar tempo com xavecos, bombons e corações. O mesmo trabalho que dá para pegar os mais belos espécimes dos sonhos humanos. Onde foram acabar os bons e velhos tempos do caderninho preto?

Aos reles mortais, resta o conselho: Se o clima esquentar demais, coisa bem possível nessa primavera doida que nasceu esses dias, usem e abusem do chuveiro frio, pois ele está muito mais fácil para espantar o corvo da necessidade do que os devedores da beleza tem-se mostrado.

Como diria o rei Jorge Ben: ao invés de uma nova trombada, uma marcha ré com dignidade.

 

Até a próxima, onde a dignidade nos levar e amém!