Arquivo para Crianças

Cenas do intervalo

Posted in Conto, Crônica with tags , , , , , on 25/01/2012 by caioguilherme

 

P. tomou o leite achocolatado e devorou o pão com geléia. No entanto, ainda estava com fome. Uma garota comia com tranqüilidade um pacote de bolachas e, antes que ela pudesse perceber, P. o arrancou de suas mãos.

Os dois saíram correndo pelo pátio, disputando o que parecia ser o último pacote de bolachas da face da terra. A garota, da mesma idade de P., conseguiu alcançá-lo e se atirou sobre ele. Os dois rolaram pelo pátio e o pacote de bolachas estourou, esparramando todo o conteúdo pelo chão.

Pombos velhos e nojentos se lançaram sob as bolachas esfareladas, dando cabo rapidamente delas. Tanto P. e a garotoa, que tanto queriam comer as bolachas, ficaram sem nada. Revoltado, P. acertou duas botinadas na garota, que se pôs a chorar.

O resto do intervalo transcorreu em paz.

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Algo triste.

Posted in Conto with tags , , , on 15/07/2009 by caioguilherme

Inspirado em notícias recentes.

 

Algo triste.

14/07/2009.

 O colo da minha mãe é bom. E pensar que ela está brava porque fiquei chorando de sono. Hoje é sábado, eu quero é ficar deitada com ela e nada mais, mas eles insistiram em ficar naquela festa chata. Papai está todo vermelho, de beber aquele negócio estranho, o tal de quentão. Minha irmã, barriguda, ainda está lá, ele não subiu com a gente para ficar de olho nela. Droga, eu queria que ele subisse também.

Meu quarto é bonito e eu já tive um monte de presentes, agora nem ganho mais nada. Estão economizando para o novo bebê, o bebê da minha irmã, aquela chata. Eles vão ver só. Choro mais um pouco, minha mãe me faz escovar os dentes, mudar de roupa e deitar. Achei que ela fosse ficar, mas não, ela só me deu um beijo e apagou a luz. Aposto que vai descer de novo, para falar com aquela tonta, sobre aquele bebê bobo.

Bebê, bebê, bebê e eu? Quem se lembra de mim? Meu pai tomou um monte de quentão e nem me comprou um chocolate, tudo por causa do bebê. Minha mãe falou com uma amiga que ele bebe por estar triste. Eu também estou triste, será que posso beber? Hum… acho que não, uma vez ele me deu um gole e minha mãe ficou muito brava. Era ruim, amargo e queimou minha língua. Dói só de pensar. Depois, ele me deu um monte de doces, para compensar. Foi bom. Vou sentir saudades. Minha mãe desceu. Hora de ir embora.

Ainda bem que ela não olhou minha mochila, ainda bem mesmo. Tem umas roupas, lá fora anda frio e eu sou uma menina esperta, apesar de nova. Vou levar um casaco, uns brinquedos também, não dá para ficar sem meus amigos, o Toby e o Loby, são ursinhos tão bonitos. Estou pronta.

Caminho até a janela da sala, uso minha tesoura para cortar a tela da janela. Vou fugir de casa, eles nunca vão me pegar. Abri o buraco, agora é só jogar minha mochila… ai, ela tá pesada. Pronto, joguei. Agora o Toby e o Loby, espero que eles não se machuquem. O 5º andar é alto, mas não acho que vá doer. Eles caem, mas ficam bem.

Agora, é a minha vez…