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Minha vez

Posted in Conto, Crônica with tags , , , , , , , , , on 25/02/2012 by caioguilherme

Para cima e avante. Para o alto e além. Super homem e Buzz, voa, voa voadores. Ir ao topo do Mundo e ver a maravilha que é o céu acima da linha de poluição. Desmascarar a realidade usando pedaços de um parque de diversão.

Sol, muito sol. E filas, claro. Muitas filas. As muitas horas no carro e na espera viravam poucas horas de diversão. Tudo por um sonho, um simples sonho que era escalar o topo do mundo, na torre mais alta das redondezas.

O brinquedo metálico subiu e desceu, subiu e desceu. Centenas de pessoas, indo ou esperando. Uma vez, uma chance. Uma única oportunidade para tudo dar certo. Horas, horas, horas. Sol e crianças, sol e crianças na fila. Esperar é foda, já não basta o choro das crianças nos ônibus. Já não basta a espera em filas nos terminais de concreto armado?

Pagar e esperar por um prazer efêmero, eis o resumo de um parque de diversões. Quase a minha vez, mais um grupo e sou eu. Na frente um casal adolescente. Sol, álcool, algodão doce, sol, pouca água, ansiedade, amassos, mais álcool, pipoca, coca-cola, álcool, amassos, espera, mais ansiedade, sol, calor, muito, muito, muito sol. A moça virou para trás e vomitou. Camiseta, bermuda, canela, meias, tênis. Tudo vomitado e fedendo. Coisas que um pedido de desculpa não arruma.

Chance perdida, logo eu, o último. Logo a minha vez. Cheiro de vômito e cachaça, preciso ir ao banheiro dar um jeito. Me afasto, minha vez perdida. Preciso me lavar antes que fique grudento. Os adolescentes riram e a vomitadora foi no brinquedo mesmo assim. Ela na frente, eu era para ser o último.

Uma moça ganha a minha vez. A minha vez. Perdida. Graças ao vômito. Paro para ver, sentir que era eu que poderia estar lá. Brinquedo, cadeiras, travas. Todos sorriem ansiosos. A torre sobe, sobe, sobe, sobe e para.

 

Hora de descer, meu coração gela. Não consigo olhar, não consigo acreditar. Um corpo se liberta da estrutura de metal e é lançado pelo espaço, ao redor do céu. No meu lugar. Nós não fomos feitos para voar. Ela se foi, na minha vez. Congelei e fiquei ali parado, esperando.

Esperando que o pesadelo virasse sonho e que fosse tudo mentira. Mas não. Ela se foi e poderia ter sido a minha vez.

A máquina para, todos param, alguns correm. Eu só fico parado, ajoelhado e chorando.

A máquina para e tudo é triste demais. Em um ônibus qualquer na cidade de São Paulo alguém diz:

“Por culpa dela perdi o meu presente, filha da puta.”

Ajoelhado. Voando. A máquina para e esse é o valor da vida humana. Vou para a França visitar a Torre Eiffel.

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Comentários após o fim da primeira rodada da Copa do Mundo.

Posted in Comentários with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 16/06/2010 by caioguilherme

Poucos minutos atrás terminou o jogo entre Espanha e Suíça. Aproveito o momento para fazer algumas críticas e considerações sobre a Copa do Mundo, a FIFA, a seleção brasileira, aos jornalistas e ao futebol em si.

O jogo da Fúria contra os Suíços terminou em derrota para os espanhóis, uns dos favoritos na corrida para levar o título e a taça. o placar de 1 a 0 para os suíços não traduz o jogo, amplamente dominado pelos espanhóis. Ai está a beleza e a tragédia do futebol: nem sempre o time que joga ou se esforça mais vence. Os suíços resumiram sua filosofia de jogo em marcar muito e dar sorte em algum contra ataque, percepção de jogo que tem dado a tônica para este mundial. Em um balanço geral dos times, especialmente dos com uma escola de futebol mais desenvolvida, é possível perceber que as equipes têm atuado com somente um atacante na área, o tal do centro avante, que é apoiado por dois meias abertos, que ora atuam como pontas e/ou segundo atacantes, ora tornam-se implacáveis marcadores, cobrindo principalmente a saída dos laterais. Tal jeito de jogar, sendo existentes variações de seleção para seleção, permite um grande domínio da posse de bola para a seleção mais forte, com mais técnica ou com maior obrigação de vencer. A posse de bola é importante, mas não é tudo e este jogo entre Espanha e Suíça provou isso.

Ao abdicar de um outro atacante na área as seleções deixam de lado um importante instrumento para fazer gols, que é a confusão na frente do gol e a estrela de um jogador nascido para meter bola na rede. Jogando com um só sujeito na frente boa parte das bolas alçadas para a área acaba caindo nas mãos dos defensores, já que só um atacante, assim como as andorinhas, não faz verão. As seleções que possuem maior obrigação de ganhar o jogo (embora eu ache que todos deveriam jogar para ganhar o campeonato, não para não perder) dominam as iniciativas, exibem um bom toque de bola, criam um bom número de jogadas, mas não encontram quem possa concluí-las, já que o atacante de área sofre com a marcação de zagueiros cada vez mais rápidos, fortes e habilidosos e os meias, por melhores que sejam, não possuem o mesmo pulo do gato que um bom atacante.

O que aconteceu com a Espanha hoje é uma boa prova disso. De tanto atacar sem objetividade e poder de gol acabou abrindo espaços para os suíços que tiveram mais estrela e fizeram o deles, dedicando-se durante o resto do jogo a marcar. Goleadas como a da Alemanha contra a Austrália só serão possíveis quando o time mais fraco tentar fazer o mesmo futebol de iniciativa que o time mais forte, nesse momento a ausência de uma técnica refinada e de um bom toque de bola se fazem sentir. Hoje, a seleção que não possui essas características tem como a melhor opção não forçar a posse de bola e deixar a adversária mais forte ser anulada por um amplo sistema de marcação atrás da linha da bola. Ai, e só ai, talvez tenha uma chance de gol no contra ataque e na bola parada.

Os espanhóis bem que tentaram, mas não conseguiram reverter o resultado e terão que suar a camisa nos próximos dois jogos, especialmente contra o Chile – que opera sobre moldes futebolísticos diferentes da regra geral. Talvez se o técnico tivesse colocado um outro atacante de área antes ou se o atacante de área fosse mais jogador que o Torres e o Villa  o resultado teria sido diferente.

O jogo do Brasil não me surpreendeu. A lógica dominante foi a dos outros jogos da copa, mas com o agravante do Brasil tremer em tomar a iniciativa ante a fraca Coréia do Norte, achando que a qualquer momento ia definir a partida num passe de mágica. É… talvez a partida realmente tenha sido definida num ou outro milagre do futebol, onde o esforçado, mas limitado, Elano deu uma assistência e fez um gol. Ao ler as escalações das outras grandes seleções tive a confirmação de que o Brasil em termos de nome e grupo é inferior as demais postulantes ao título. Possui alguns nomes bons, mas vai ter que rezar, e muito, pela continuidade da consistência defensiva e da estrela e movimentação do Robinho. O principal meia, Kaká, e o centro avante titular, o Luís Fabiano, serão, talvez, duas das grandes decepções da copa, por não estarem em boa forma e pela questão da filosofia do futebol não privilegiar o jeito de jogar dos dois. A “sorte” brasileira é o peso da camisa, os medianos adversários da primeira fase e a autoconfiança e força física de alguns jogadores, talvez ai esteja o diferencial da equipe amarela.

A Holanda foi uma decepção para mim, ganhou o primeiro jogo por um lance de azar do Poulsen, jogador da Dinamarca, e se limitou a ficar tocando a bola sem o mínimo de objetividade. A França confirmou as expectativas e mostrou que é uma bela seleção no álbum de figurinhas e nas estatísticas do Winning Eleven, tem excelentes jogadores, mas de forma alguma constitui-se em um time, é um catadão de astros. A Inglaterra atuou relativamente mal contra os EUA e pode ser classificada como uma França que, ao menos, tenta ser um time. A Alemanha foi a maior surpresa dessa primeira rodada, pois apesar de jogar contra a seleção australiana (que termina essa rodada como a mais fraca das 32), que se mostrou confusa sobre qual filosofia de jogo exercer, parece estar bastante a fim de levar o título, usando, até mesmo, de habilidade e objetividade ao gol. Coletiva e individualmente mostrou ser muito forte, exerceu a lógica de bola dominante, mas não abdicou da efetividade no ataque e de dois jogadores atuando na área, o que é um ponto bastante importante. A contusão do Balack, se não gerar nem um vazio moral, talvez tenha sido um lucro para eles, já que o meio de campo precisa ser mais veloz nesse indeciso futebol moderno.

A Itália fez um jogo interessante contra o Paraguai e deixou boa parte dos seus veteranos no banco, assinalando com uma possibilidade e um ensaio de renovação no médio prazo. Nunca se sabe, não? Para a azurra faltou o que faltou para quase todos os times, um grande meia, cuja a existência é improvável e quase mitológica, e um segundo atacante de qualidade atuando na área. O Paraguai e o Chile mostraram que o futebol sul-americano não se resume ao confronto entre Brasil e Argentina, permeado por figuração do Uruguai, a mais vulnerável do subcontinente.

A Argentina me agrada. O Maradona percebeu que sua seleção é defensivamente fraca e sabe que o futebol para ser legal não pode ser jogado com 11 caras no campo de defesa. O que fazer, então? Montar o time de forma a privilegiar aquilo que há de bom. Se a tônica das outras equipes é o equilíbrio entre os setores, a da Argentina é a organização do time de forma que o ataque possa brilhar e jogar com relativa tranqüilidade, sabendo que a defesa não colocará tudo a perder. Esse o motivo da convocação dos 6 atacantes, se a arma mais forte da seleção é o ataque, que este fique bem municiado. É importante perceber que Tevez, Messi, Agüero, Milito e Higuain estão em fase absurdamente boa. Os torcedores podem ter certeza de que se cada um no Mundo do futebol fizer uma lista com os 10 melhores atacantes da atualidade, 4 desses 5 figurarão em todas as listas. O Palermo está no grupo por superstição do Maradona e por sua estrela, ele é um sujeito que o treinador põe na área e a galera taca a bola, uma hora ou outra, ele resolve.

Outro motivo da Argentina me agrada é o próprio Maradona. O tema ai é o da redenção. O cara passou anos bastante ruins e possui, agora, a possibilidade de deixar um legado menos manchado pela cocaína, agressão a jornalistas e gols de mão. A vitória dele na copa seria a vitória de um técnico melhor humorado, que fez o simples e sabe tirar um sarro das coisas. Que chupem todos quando Maradona estiver correndo nu pelo obelisco comemorando o campeonato mundial!

A cobertura brasileira da copa, por sua vez, realça as dificuldades e problemas do jornalismo brasileiro. Este se vendo, no dia a dia, como crítico e porta voz da sociedade, representando, instruindo e cobrando  em prol do bem público.

O que se vê são sujeitos com o rabo preso e medo de desagradar a audiência ao criticar, o abuso do ufanismo policarpiano, quase sempre sem sentido, e a plena dificuldade de criar pautas envolvendo a África e a seleção brasileira. A impressão que dá é que as equipes foram para a África fazer esse trabalho de contextualização da vida e do cotidiano sul africano cedo demais, esgotando este assunto muito antes dos jogos começarem. Ai, a seleção brasileira se blindou e diminui ainda mais o assunto para os jornalistas tratarem, resultando em mão de obra ociosa e tempo demais na grade, que não pode ser preenchido com as outras seleções, pois a audiência não está nem ai para elas.

Este, possivelmente, é o motivo de reportagens esdrúxulas e desrespeitosas, como a da Globo em relação a Coréia do Norte, onde depois de fazer uma ufanista reportagem sobre o samba que os jogadores brasileiros preferem (e dá-lhe estereótipo) e falarem em respeito para aqueles que conquistaram coisas, venceram obstáculos e chegaram onde chegaram, o tom é mudado para o da gozação e humilhação, como se norte coreano, por ser oriental e viver sob o regime comunista, não fosse gente. Esqueceram o tal padrão Globo de televisão em algum banheiro qualquer num desses aeroportos do Mundo.

Os jornalistas de outros veículos também sofrem do mesmo problema de falta de assunto e desrespeitos aos pontos que sempre são repetidos no esforço de auto-elogio e justificação do jornalismo brasileiro. Numa das reportagens da Folha de São Paulo, o Dunga é chamado de Populista, pois trata mal a imprensa, mas tenta tratar bem os torcedores africanos. Jornalista não precisa tomar cuidado com conceitos? Eita faculdade boa…

Menção honrosa fica para a transmissão da Band. A dupla de transmissão principal, Luciano do Vale e Neto, é tão intragável quanto o Galvão Bueno e o Arnaldo César Coelho, mas a secundária, com o narrador que preciso descobrir o nome e o Edmundo, tem feito um bom trabalho. Ao invés de ficar torcendo, como o Galvão, disputar guerrinhas de ego, como o Arnaldo com o mesmo Galvão, e ficar dando esporro a torto e a direito, como o Neto, a dupla secundária da Band tem atuado com bastante seriedade e tem tratado do jogo. O Edmundo não é nenhum poeta, mas pensa bem antes de falar, analisa a partida e dá sua opinião honesta, sem exageros patrióticos e demagogias. A dupla secundária da Globo, encabeçada pelo Cleber Machado, segue o padrão da principal e, então, não merece grandes comentários.

Comentários que em geral são bastante negativos em relação a FIFA. Até esta Copa do Mundo eu achava que a FIFA era uma entidade bacana, mas depois dos últimos 4 anos de faculdade adquiri visão para perceber que ela é uma puta duma cretina. Talvez a relação da FIFA com os países sede da copa seja a melhor demonstração moderna do como funciona o Imperialismo.

Maiores explicações num próximo texto.

Uma questão de prioridades…

Posted in Comentário do Autor, Uncategorized with tags , , , , on 13/05/2010 by caioguilherme

Estava lendo por ai que o presidente Lula assinou um projeto de lei que premia os campeões mundiais com R$ 100 mil e garante a eles uma pensão de R$ 3000 pilas, sendo ambos os beneficíos garantidos aos familiares daqueles jogadores que já morreram. Claro, que um dos autores da Lei é um deputado aparentado de um goleiro campeão do Mundo.  Do outro lado da história, professores do principal estado do Brasil ganham 1500 reais por uma jornada semanal de 40 horas, sem que o tempo de trabalho extra sala de aula seja realmente pensado ou remunerado. Não consigo pensar em ninguém da classe trabalhadora que se aposente ganhando 3 mil barões do Brasil e olha que tudo isso é gente que se sacrificou bastante no dia dia, talvez mais do que muitos desses jogadores. Até gosto desse patriotismo de seleções nacionais, menos xenófabo e afeito a conflitos militares que o patriotismo real, mas a fantasia tem limite. Brincadeira com o dinheiro público também deveria ter.

Não me parece que o Romário ou o Rai ou o Marcos e o Rogério Ceni tenham uma absurda necessidade desse dinheiro quanto alguns idolos esquecidos talvez tenham. Mas e ai? Quantos outros esquecidos que só trabalharam e nunca jogaram nada profissionalmente existem por nossas bandas brasílicas? O presidente vai liberar 100 mil para dar um auxílo para eles?

Isso me lembra um pouco a farra de fuscas do Maluf e dos empresários dos grandes americanos recebendo mais e mais bônus trilhardários e jogando o sistema nessa crise que não tem feito muito bem aos gregos… As proporções podem ser menores, mas a coisa toda no fundo é igual…

Questões

Posted in Comentário do Autor with tags , , , , , , , on 28/07/2009 by caioguilherme

Um prefeito que só anda de helicóptero e um secretário de transportes que só anda de carro não podem falar sobre transporte público. Tem coisas que só podem ser entendidas na prática. No mais, o desenvolvimento econômico através da expansão da indústria automobilística já faliu há tempos.

 

Os fumantes do curso de História da Usp demonstram, na lista de emails da mesma, brilhantemente os resultados ridículos do individualismo exacerbado, pois fazem um comentário imbecil após o outro. O pior é que muitos, naquele local, falam de socialismo e verdadeiro espírito igualitário e comum, mas os esquecem sobre a primeira sombra de ferimento aos seus “direitos de fumantes”. Talvez haja algo mais do que o apelidado, por alguns deles, de “psdbismo-drauziovarelista”  na questão envolvendo cigarro e saúde.

 

O Herrera acertou ao dizer que o futebol brasileiro virou esporte de maricas. Tudo, agora, é resolvido nos jornais e até xingamentos usuais geram suspensões sem sentido. Quem entra na arena, que é o que o estádio significa em última instância, tem de estar preparado a tomar umas borduadas e ouvir uns xingamentos, estes quando não são de cunho preconceituoso não fazem lá grandes males a infância, a moral e aos bons costumes. O afã de regrar e julgar tudo está matando a espontaneidade do futebol, um dos últimos redutos restantes para essa bela arte, a arte de ser leve.

 

A obsessão brasileira por abrigar grandes eventos esportivos é um sinal de imensa ganância e de verdadeira vontade de desviar dinheiro. Por quanto mais tempo teremos de tolerar o sonho carioca, e as vezes paulista, pelas olimpíadas? A copa já num é o bastante?

 

O ENEM e os vestibulares vêm mudando suas feições para formas cada vez mais bizarras. Como a unicampização da Fuvest torna o vestibular da Usp mais acessível se ela se aproxima do vestibular mais elitista do Estado? Em nome de uma improvável melhora futura do ensino soterram-se as gerações que sofreram com essa educação tanto particular quanto o público (guardada as devidas proporções), chinfrim que temos nesse país. 

 

Quem defender o politicamente incorreto na redação do ENEM perderá pontos, não importando a qualidade da argumentação. Para quê a discussão de idéias, então? Os lados já estão previamente definidos…

 

Um tópico se contradiz ao outro, mas a questão é questionar. A vida é, ou deveria ser, assim.

Algo triste.

Posted in Conto with tags , , , on 15/07/2009 by caioguilherme

Inspirado em notícias recentes.

 

Algo triste.

14/07/2009.

 O colo da minha mãe é bom. E pensar que ela está brava porque fiquei chorando de sono. Hoje é sábado, eu quero é ficar deitada com ela e nada mais, mas eles insistiram em ficar naquela festa chata. Papai está todo vermelho, de beber aquele negócio estranho, o tal de quentão. Minha irmã, barriguda, ainda está lá, ele não subiu com a gente para ficar de olho nela. Droga, eu queria que ele subisse também.

Meu quarto é bonito e eu já tive um monte de presentes, agora nem ganho mais nada. Estão economizando para o novo bebê, o bebê da minha irmã, aquela chata. Eles vão ver só. Choro mais um pouco, minha mãe me faz escovar os dentes, mudar de roupa e deitar. Achei que ela fosse ficar, mas não, ela só me deu um beijo e apagou a luz. Aposto que vai descer de novo, para falar com aquela tonta, sobre aquele bebê bobo.

Bebê, bebê, bebê e eu? Quem se lembra de mim? Meu pai tomou um monte de quentão e nem me comprou um chocolate, tudo por causa do bebê. Minha mãe falou com uma amiga que ele bebe por estar triste. Eu também estou triste, será que posso beber? Hum… acho que não, uma vez ele me deu um gole e minha mãe ficou muito brava. Era ruim, amargo e queimou minha língua. Dói só de pensar. Depois, ele me deu um monte de doces, para compensar. Foi bom. Vou sentir saudades. Minha mãe desceu. Hora de ir embora.

Ainda bem que ela não olhou minha mochila, ainda bem mesmo. Tem umas roupas, lá fora anda frio e eu sou uma menina esperta, apesar de nova. Vou levar um casaco, uns brinquedos também, não dá para ficar sem meus amigos, o Toby e o Loby, são ursinhos tão bonitos. Estou pronta.

Caminho até a janela da sala, uso minha tesoura para cortar a tela da janela. Vou fugir de casa, eles nunca vão me pegar. Abri o buraco, agora é só jogar minha mochila… ai, ela tá pesada. Pronto, joguei. Agora o Toby e o Loby, espero que eles não se machuquem. O 5º andar é alto, mas não acho que vá doer. Eles caem, mas ficam bem.

Agora, é a minha vez…