Arquivo para Poesia

Partido da Revolução Institucionalizada (PRI)

Posted in Poesia with tags , , on 12/05/2013 by caioguilherme

Meu coração parou calado
sentindo em ti a paz da morte
eu estava vivo,
mas transbordava em sorte…
por ter te encontrado
por ter te amado
Amém.

Multidão

Posted in Poesia with tags , , , , on 04/04/2013 by caioguilherme

Todas as vozes

se resumiram

num canto

 

e logo

ele morreu

nos murmúrios do metrô…

Rasgar

Posted in Poesia with tags , , on 02/04/2013 by caioguilherme

Palavras rasgadas

não têm volta

não são versos.

Elas não deixam

Sentimentos

nem momentos.

São pequenas tragédias

Do dia a dia

rua sem saída do cotidiano.

No meio do dia

Posted in Poesia with tags , , , , on 29/01/2012 by caioguilherme

Emerge ao meio do dia

e grita no expediente,

palavra de efeito efervesente,

clamor de uma multidão de pobres almas humanas.

Mundanas e imundas,

que se sentam a mesa

e se sentem como reis num banquete de direitos inexistentes,

no drama indecente do lugar algum.

Utopia na terra…

eis o drama do nunca mais

Jamais.

Uma crônica sobre talento.

Posted in Crônica with tags , , , , , , , , on 15/04/2010 by caioguilherme

No Campeonato Paulista de 2009 o volante Hernanes, do São Paulo, fez um belo gol de sem pulo. Mesmo superado alguns meses depois pelo gol incrível de Diego Souza, do Palmeiras, o sem pulo de Hernanes não foi esquecido por mim. E foi por um motivo que talvez vá um pouco além dele: os comentários que gerou.

Praticamente abandonada na parte cultural dos jornais a Crônica ainda ganha alguma relevância na seção esportiva. Alguns autores resumem-se aos comentários rotineiros e essencialmente jornalísticos, isso um pouco pelo mau exemplo dos escritores do caderno cultural, como o Ferreira Gullar e o Veríssimo, que têm se limitado ao caráter colunístico, não atingindo o fazer literário, pelo qual se consagraram. Tostão não. O velho jogador de futebol escreve, algumas vezes, textos tão memoráveis em sua coluna/crônica quanto são belos alguns lances e gols, como o sem pulo de Hernanes é um exemplo. É como que se impedido pelo tempo de jogar bola magistralmente, Tostão extravasasse o algo mais que possui para o papel, na escrita e na poesia do futebol.

Sem saber ao certo como estava fazendo aquilo, o velho jogador de futebol escrever com suas enrugadas mãos uma belíssima crônica sobre o gol do jovem Hernanes. Tão bela quanto o gol e uma tarde ensolarada de outono, a crônica comentou o lance fazendo com que o leitor notasse o quão mágico era o talento do jogador e o quão interessante era o fato de que ele realizava o lance sem nem entender ou conseguir construir racionalizações sobre os místicos e técnicos recursos físicos e espirituais que lhe permitiam fazer aquele gol.

Achei engraçado quando percebi algo sobre o Tostão. Ele, muito possivelmente, não sabe ao certo o como e o porquê de aquele seu texto ter tanta qualidade e vencer a barreira do jornal e do efêmero que os outros colunistas têm se mantido tão fiéis e tão felizes por tanto tempo.

O Talento é algo assim mesmo, de mágico e irracional, de momento e de inspiração. A Técnica está no oposto, ligada com o racional, com o previsível e com a transpiração,  tão alardeada pelos escritores atuais, numa tentativa de valorizar sua profissão perante a sociedade – necessidade que talvez não exista, talvez exista.

Entre Técnica e Talento, entra a transpiração e a inspiração eu me coloco a favor do Talento, pois este gera aquilo que é belo e imprevisível, algo de único, como sem pulo de Hernanes e Diego Souza, a crônica de Tostão e uma tarde ensolarada num outono qualquer.

Posted in Poesia with tags , , , , , on 04/02/2010 by caioguilherme

 

 

Em meio ao caos

toco seus seios

querendo a certeza

da continuidade.

 

Seu gosto e seu cheiro

dissipam o pensar,

dando espaço ao ser e fazer

infinitos.

 

Chamas vivas e eternas

enquanto duram,

diria Camões.

 

Ao contrário,

você etérea

dissolveu-se em meus dedos,

deixou a saudade

de seus seios.

 

Em meio ao caos,

grito o seu nome,

choro um universo,

mal feito e mal acabado

infinito e órfão

de toda, e qualquer, continuidade

de ti.

 

Posted in Poesia with tags , , , on 25/01/2010 by caioguilherme

 

 

Como em uma febre

ficou o dito pelo não dito

enquanto todos esqueciam

aquilo que estava escrito

 

Aonde estava

que nada foi visto

apesar de piscar

e encher o ambiente

com gargalhadas

bastante pesadas.

 

Ninguém nem pensava

que estava em frente

turvando o presente

apagando o passado

e rasurando o futuro.

 

Se correr, meu amigo, o bicho pega

– disse o ditado tão repetido –

só que se ficar, pior ainda,

o bicho come.