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Multidão

Posted in Poesia with tags , , , , on 04/04/2013 by caioguilherme

Todas as vozes

se resumiram

num canto

 

e logo

ele morreu

nos murmúrios do metrô…

Rasgar

Posted in Poesia with tags , , on 02/04/2013 by caioguilherme

Palavras rasgadas

não têm volta

não são versos.

Elas não deixam

Sentimentos

nem momentos.

São pequenas tragédias

Do dia a dia

rua sem saída do cotidiano.

Cenas do intervalo

Posted in Conto, Crônica with tags , , , , , on 25/01/2012 by caioguilherme

 

P. tomou o leite achocolatado e devorou o pão com geléia. No entanto, ainda estava com fome. Uma garota comia com tranqüilidade um pacote de bolachas e, antes que ela pudesse perceber, P. o arrancou de suas mãos.

Os dois saíram correndo pelo pátio, disputando o que parecia ser o último pacote de bolachas da face da terra. A garota, da mesma idade de P., conseguiu alcançá-lo e se atirou sobre ele. Os dois rolaram pelo pátio e o pacote de bolachas estourou, esparramando todo o conteúdo pelo chão.

Pombos velhos e nojentos se lançaram sob as bolachas esfareladas, dando cabo rapidamente delas. Tanto P. e a garotoa, que tanto queriam comer as bolachas, ficaram sem nada. Revoltado, P. acertou duas botinadas na garota, que se pôs a chorar.

O resto do intervalo transcorreu em paz.

Um encontro entre luz e movimento

Posted in Conto with tags , , , , , , , on 08/01/2012 by caioguilherme

Naquela época eu acordava junto do sol. A transição da escuridão para a luz servia como um despertador cósmico e eu nunca me sentia com sono ou com vontade de ficar mais tempo na cama. Simplesmente acordava, me arrumava e partia. O café preto era uma água benta e eu o tomava apreciando o céu laranja – fruto da santa poluição de cada dia.

O silêncio do despertar só era abalado ao sair de casa. Carros, maritacas, pessoas, pombas e meus pensamentos adquiriam vida e ecoavam por toda a extensão do meu ser. O caminho de casa para o trabalho era percorrido a pé todos os dias. Sempre o mesmo trajeto percorrido do mesmo jeito e no mesmo tempo. Fosse inverno ou primavera, outono ou verão, o caminho era sempre aquele e não havia do que reclamar. Nada mudava, tudo mudava.

Nunca me esqueci de um inverno em que sai de casa e o céu não estava laranja. Uma névoa branca e espessa dominava a existência de forma impiedosa e cobria todo o caminho. Durante semanas meus pulmões não funcionaram direito, tentando superar e expelir aquela névoa matinal. O frio naquele dia me derrubou até os ossos e, apesar de ter acordado bem disposto, senti dores terríveis pelo dia todo. Meu ouvido esquerdo parecia tomado por um estranho vácuo e o ar frio penetrava por ele, me deixando confuso e tonto. A voz embargou e meus pensamentos cessaram apesar de todos os esforços por acelerá-los. Só com muita dificuldade cheguei em casa naquele dia. Comi um lanche de carne com bacon e uma coca-cola quente e passei todo o fim de semana acamado e febril. Não consigo precisar qualquer dado sensorial daqueles dias. Mas fico feliz ao perceber que nunca mais fiquei doente depois daquela ocasião. Era como se toda a fraqueza purgasse ao mesmo tempo e sumisse ao fracassar na sua tentativa de guerra total.

Meus melhores momentos foram na primavera. Ao sair de casa encontrei um grande número de cães passeando com seus donos, aproveitando os poucos minutos antes do trabalho e da corrida contra a vida. Pássaros verdes, bravos e raros dominavam todos os postes do bairro e espantavam as principais pragas urbanas. As maritacas eclodiam de seus ovos, espantando as pombas em seu espetáculo de cor e berros nervosos.

Nestes dias eu não precisava vestir cachecóis e meus ossos não doíam. Às vezes a luz se tornava tão intensa que eu não conseguia pensar e minha cabeça começava a doer. Minhas mãos inchadas confundiam as texturas e eu simplesmente deixava de existir, perdido em sensações. A realidade não reconhecia ordens, sentidos e informações, nada era processado naqueles momentos. Sem ar eu sentava nas guias e todos os passantes me ignoravam com seus olhos vazios, tortos e incomodados. Só cães e suas pulgas se preocupavam com minha existência em meio a enxaqueca.

Apesar dos pesares, a primavera era a minha melhor época e suas belezas eram muito mais constantes do que o excesso dos sentidos. A beleza se espalhava por todos os lugares e não se resumia aos pássaros ou às flores. Em uma tarde qualquer, cruzei com uma grande árvore com seu tronco aberto, parecendo um ventre. Em seu canteiro milhares de cupins voadores amontoavam-se, uns em cima dos outros. Do interior do tronco uma dezena de insetos voadores e devoradores alçavam vôo, gerando um brilho magnífico quando o sol do entardecer refletia em suas asas.

Era uma verdadeira sinfonia, um encontro entre luz e movimento.

Até hoje eu me lembro de que enquanto eu observava aquele velho tronco todo o resto da realidade se apagava, tornava-se preto e branco. Pela primeira e última vez eu consegui escutar o silêncio fora de casa, na rua.

Por: Caio Fernandes

Na cidade fria

Posted in Conto with tags , , , , , , , , , on 14/01/2011 by caioguilherme

A chuva cinza congelava seus ossos e ele fazia um esforço enorme para não tremer em público. Seu nariz estava vermelho, mas o frio intenso impedia que ele escorresse, era como se o catarro estivesse congelado. Na verdade, fazia alguns dias que só respirava pela boca, o que era bastante desagradável. Sorte que não tinha nem oportunidade de pensar em dormir, assim não incomodava ninguém com roncos ou algo parecido.

Tentou mexer os dedos, mas estes estavam congelados dentro das luvas de material vagabundo. o mesmo e caro e superfaturado material que deu origem ao chapéu, às meias, à camisa, às calças, ao mijão, às cuecas e ao casaco grosso e inútil que usava. Todos estavam vagabundamente vestidos com o mesmo material. Alguém deveria lucrar muito com a desgraça e a miséria alheia. Todos ali, sob chuva e frio, morrendo pouco a pouco porque alguém quera ganhar uns trocados a mais, dentro dos muito trocados que já ganhava.

Ganhar, palavra que eles ouviam bastante, mas pouco conseguiam compreender. Em meio a sopa rala e ao pão mofado só conseguiam perceber, instintivamente, o signifcado do verbo perder. Ele e seus homens perdiam dias, perdiam horas e perdiam a vida, tudo em troca de nada, do ganho de um outro que já tinha tanto.

 

Um apito sombrio gritou e as portas do inferno se abriram. Ele e os seus marchavam sem realmente querer. Do frio da rua para o calor das caldeiras, das soldas e dos metais. Algo derretia internamente, cozendo-o por dentro, pouco a pouco. A roupa vagabunda esquentava como um forno lá dentro, para esfriar como uma geladeira lá fora. Sangue, suor, mas lágrimas jamais. Trabalhou e naquele dia não comeu.

Como um zumbi foi arrastado por uma horda sem vontade e entrou no ônibus. Entalados todos indo para o mesmo lugar. Do inferno para a ausência. Era como se levitasse entre os milhares de corpos que tanto se esbarravam todos os dias. Entre o frio dos dias, o calor do trabalho e a indiferença da rotina. Desceu do ônibus e engoliu um pouco de álcool.

A visão se tornou mais clara e esclarecida. José foi até sua casa e dotado de uma vontade única pegou sua velha espingarda. Limpou-a, carregou-a. Saiu nas ruas e seus vizinhos, seus colegas de trabalho e seus amigos do bar estavam lá, todos eles também com suas velhas espingardas, limpas e carregadas. No frio uma só vontade única e indivísivel. Marcharam em dezenas, em centenas e em milhares. Todos em direção ao centro, atropelando casas, fábricas, hospitais e prédios do governo.

Os dias de José nunca mais foram os mesmos.

 

13/01/2011

Pedro Divino.

Posted in Conto with tags , , , , on 09/01/2011 by caioguilherme

Ela ofereceu um beijo de leve e partiu. Era o vento morrendo na esquina e levando algumas manchetes de jornal consigo. Pedro não conseguiu acreditar naquilo que estava acabando e soltou umas baforadas de mal estar, curtindo todas as vantagens que uma boa dose de auto piedade tinha para oferecer.

Situação clichê, entrou em um bar, pediu algo alcoólico, amargo e barato. O cheiro já era o suficiente para o fígado se retorcer de gordura e dor, mas bebeu assim mesmo e viu estrelas. A força da bebida logo pintou como uma bela desculpa para os olhos vermelhos e molhados. Pediu outra e outra dose, sentindo todos os problemas do Mundo se resolver, sabia que mais algumas iria descobrir desde a cura do câncer até os problemas de seu fictício coração.

E resolveu! Entre uma e outra uma boa dose de ânimo artificial entrou pela porta e ele se viu piscando para um solteirona que estava ao lado. Ela sorriu, Pedro sorriu e juntos foram para o banheiro dar uns amassos e – depois, quem sabe? – se conhecerem melhor. No geral a sensação foi melhor do que quando ganhou 20 reais na loteria, um espanto só.

Sem escutar o nome dela, Pedro a levou para casa dando um showzinho privado para o taxista que quase atropelou meia dúzia de pedestres estarrecidos. No meio da bagunça sentiu tocar seu celular, pela vibração sabia que era ela – aquela do começo da história – que lhe ligava, mas decidiu não atender, iria curtir uma vibe diferente naquela noite. Pedro negou seus laços divinos pela primeira vez.

Enquanto os soldados marchavam em direção a anônima solteirona o telefone do apartamento de Pedro tocou e tocou. Sabia que era ela pelo toque do telefone, mas estava atrapalhado em outros toques e não estava nem ai para atender. se ela quisesse que não tivesse ido, se ele quisesse que ele não tivesse bebido, pensou. Pedro negou seus laços divinos pela segunda vez.

Depois de tudo acabado, acordo desfeito, contrato rompido ele arrastou seu corpo acabado do quarto, para que a solteirona pudesse vestir seu corpo usado e descartado. Pedro requentou um café e não sabia o que fazer para acabar com a ressaca do corpo e da mente, tomar um engov ou dar um tiro na cabeça? Os grandes dilemas da humanidade pareciam nascer sempre das descobertas etílicas. Perdidos nesses devaneios, Pedro ouviu alguém bater na porta da cozinha e sabia que era ela. Se ela o quisesse tanto não deveria tê-lo largado, deixado que ele bebesse e se perdesse. Não, não iria atender e ainda daria um tapa na bunda da solteirona só para fazer uma desfeita moral. Assim o fez e foi ai que Pedro negou seus laços divinos pela terceira vez.

Pedro viveu longos dias sem ressaca e sem mulheres e todas as noites lia a bíblia se lamentando do amor que lhe abandonou.

 

8/01/2011 – Por Caio Fernandes

 

 

 

 

 

Ubiratam

Posted in Conto, Crônica, Uncategorized with tags , , , , , on 03/05/2010 by caioguilherme

Hoje eu acordei cedo. Um pouco antes do telefone tocar. Não, não é meu telefone que toca. O telefone é de Ubiratam e está tocando às 08h20min. Eu acordei um pouco antes disso, mas devo concordar com Ubiratam, é cedo demais. A pessoa do outro lado da linha, consultora de Rh, não se importa se Ubiratam está ou não dormindo, se ele quiser um emprego terá de acordar e atender sem nenhum embargo na garganta. E é isso que ele faz.

Submisso ele escuta dizeres em tom imperativo. Esteja lá às 10 horas para o cliente te entrevistar. Tome um banho, imprima um currículo e use roupas sociais, vá bem vestido. Nosso herói não possui roupas em sua melhor forma. As velhas camisas, herdadas do pai e do irmão mais velho, estão encardidas, amassadas e puídas, mas Ubiratam toma uma para si e a veste. A calça mal cabe e possui vincos que dariam inveja a Cordilheira dos Andes. Não há tempo de tomar café da manhã ou qualquer outra coisa, ele está redondamente atrasado e terá de torcer para que o ônibus e o trânsito de sua cidade colabore.

Despreocupado vejo Ubiratam correr atrás do ônibus. Não sou eu e nem a mocinha do Rh, que esqueceu de ligar para ele no dia anterior, quem necessita desse emprego. Quem precisa vender 8 horas do seu dia por R$ 400 é ele. Ao subir no ônibus sua camisa manifesta grandiosas e oceânicas manchas de suor. Este secará no contato abusivo e forçado com os outros corpos na lata de sardinha. O resultado, uma camisa mal seca e amarrotada.

10 horas e 15 minutos, Ubiratam chega no escritório do cliente. Um lugar limpo, higiênico e esterilizado. Um bom lugar para trabalhar, uma firma de advogados. Atrasado ele recebe uma bronca da recepcionista. 5 minutos antes a própria mocinha do Rh ligara para reclamar do atraso dele e o ameaçara dizendo que isso não se fazia, que aquilo poderia prejudicar a empresa e ela mesma. Que, ao contrário do tempo dele, o tempo do cliente valia ouro e brilhava com oportunidades. Caso houvesse outra chance, e ela deixou bem claro seu pessimismo quanto a possibilidade do mundo de trabalho se interessar por Ubiratam, ele não deveria mais se atrasar tanto. Entrou pelo corredor que a recepcionista lhe indicou, de forma indiferente, depois da bronca. Nele um punhado de sujeitos, irmãos de Ubiratam, feitos  na mesma forma de Ubiratam, vários Ubiratans em versões não tão variadas, esperavam desde às 9 horas e 30 minutos. O atraso, pelo qual fora tão censurado, de nada valia e em nada atrapalhava a rotina importante do cliente, da famosa e grandiosa firma de advocacia, estéril e cujos segundos valem ouro.

Uma porta é aberta. Todos são chamados para entrar. Dinâmica de grupo. Um adesivo é colocado nas costas de Ubiratam e ele tem de fazer perguntas, cujas respostas podem ser somente sim ou não, para tentar descobrir quem ele é. Quando o adesivo em suas costas, colocado por uma senhora do Rh, lhe disser quem ele é, ele devera sê-lo em frente a todos os outros. Devera imitar a “si mesmo” para, dessa forma, ser avaliado. Um não pode sabotar o outro, são todos concorrentes, mas todos devem trabalhar em equipe para que somente um, o tão sortudo um, consiga a vaga. Desse monte de Ubiratans em competição e colaboração pela vaga, só o mais perfeito deles conseguirá ganhar os R$ 400 mensais e, com sorte, substituir parte de suas camisas amassadas, encardidas e puídas.

Nosso Ubiratam questiona para um dos seus irmãos:

“Eu sou um homem?”

“Não, não é.”

“Uma mulher?”

“Não.”

“Eu não sou gente, então?”

“Não.”

“Como? Não, eu não sou gente ou sim, você não é gente? ”

“Não.”

“Explica melhor. Eu sou ou não sou?”

“Você não é.”

“Sou um objeto?”

“Não, não é.”

“Um animal?”

“Sim, você é um animal.”

“E o que eu como?”

“Não.”

“Como eu não como?”

A senhora do Rh intervém no brilhante interrogatório de Ubiratam:

“Não se esqueça que as resposta só podem ser sim e não. Ao invés de perguntar o que você come, chute o que você come, entendeu?”

Ubiratam demorou alguns segundos para responder que sim. Esse monte de afirmações, negações, sugestões, Ubiratans e ordens, estavam lhe enlouquecendo.

“Eu como batata?”

“Não sei.”

“Eu como carne?”

“Não, acho que não.”

“Frutas?”

“Sim.”

“Qual?”

“Ele não pode te responder isso. Esqueceu?” – Interveio novamente a senhora do Rh. Ubiratam balançou afirmativamente a cabeça e pediu desculpas encabuladas. O oceano de suor, extinto no ônibus, voltava a brotar de seus poros e já causava algumas desagradáveis manchas debaixo dos braços.

Cansado daquela brincadeira estúpida, Ubiratam chutou:

“Eu como bananas?”

“Sim, você come bananas.”

“Eu sou um macaco?”

“Sim, você acertou.”

A senhora do Rh entusiasmadamente aplaudiu nosso Ubiratam. Entre todos os outros, ele foi o primeiro a se descobrir. Ela chamou a atenção de todos e ordenou que Ubiratam desse seqüência no teste.

Envergonhado, o primeiro dentre todos eles, imitou a si mesmo, imitou aquilo que a senhora do RH disse que ele era: um macaco.

Pulos e gritos, coçadas de cabeça. Empenhado, ele se lembrou de todos os desenhos com macacos e os imitou muito bem. Todos, inclusive a senhora do Rh, riram. Ele não gostou daquilo. Passado este teste, foi encaminhado para uma outra sala. Nela perguntas sobre seu mal feito ensino fundamental, suas árduas tarefas anteriores e irrealizáveis sonhos foram feitas. Nessa última pergunta, Ubiratam não conseguiu apresentar respostas claras. Objetivos de vida. Seqüência estranha de palavras. Não sabia que precisava ter sonhos e esperanças para digitar documentos na firma de advogados. Devem ser documentos realmente fantásticos para poderem ser só respondidos por alguém com objetivos e possibilidades. Ubiratam ganhou um sonho nesse dia: ser alguém com sonhos e grandes esperanças. O dia mais feliz de sua vida seria aquele em que poderia sonhar.

A entrevista terminou e Ubiratam foi para casa. Pensou em comprar uma coxinha num bar perto do escritório, mas não tinha dinheiro. A comida naquele bairro era muito cara. Foi para casa e atendeu eu telefone logo que chegou. A mocinha do Rh, aquela da primeira ligação, lhe disse que, como ela previra, Ubiratam não passou. Não soube bem imitar um macaco, um simples macaco. Ubiratam se envergonhou e chorou ao desligar o telefone. Era humilhação demais para viver. Ligou a Tv e passou as próximas horas vendo desenhos e filmes com macacos, iria aprender. Nem jantou naquele dia.

Nunca mais segui um dia de Ubiratam em minha vida. Nem sei qual dos vários e não tão variáveis e anônimos Ubiratans conseguiu a vaga. Só sei, caro Ubiratam, – e esse finzinho digo para você e só para você –  que imitar macacos é realmente muito difícil, não se sinta mal. Aposto que, assim como você, muitos daqueles seus concorrentes não conseguiram imitar aquilo que a Senhora do Rh disse que eram. A vida é assim mesmo, cheia de confusão e perguntas estranhas. Os ônibus lotados vão e voltam cheios de trabalhadores, alguns trabalhando e outros lutando por seu lugar ao sol, gritando como macacos em mil e uma entrevistas de empregos, inventando sonhos e esperanças para passar nas entrevistas. Não tenhas dúvidas, meu amigo Ubiratam, uma hora ou outra, sua vez nesses lotados ônibus irá chegar e você terá seu lugar sob o ardente sol do meio dia.